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Sobre o Iº Congresso da ASSIM SC

Sobre o Iº Congresso da ASSIM SC

E os três eixos se transformaram em dois, assim com a gente gosta: na doce tensão dos diálogos, na total imprevisibilidade e ausência de controle dos fatos da vida, na construção grupal de como seria o melhor para aquela possibilidade que se apresentava.

As escolhas foram feitas e as configurações tomadas pelo desejo de escutar ou a voz dos terapeutas, ou a voz dos clientes.

Aos poucos fui saindo do administrativo e me coloquei em Presença Radical para escutar a Voz dos clientes. Bruno ficou no grupo Vozes dos Terapeutas.

Que presente.

Relatos escritos, áudios, desenhos, poesias e presença.

Quatro clientes da Ong Assim vieram nos contar sobre o processo terapêutico deles aqui conosco.

Que experiência inédita e linda.

Apresentaram seus processos, suas ampliações e limitações, seus entendimentos singulares do que é, foi e está sendo o processo de terapia para cada um.

Escutamos metáforas tão diferentes para clientes do mesmo terapeuta, por que – sim -, cada relação cliente e terapeuta é única e se constrói a dois.

Testemunhamos a gratidão e empoderamento deles por terem espaço e voz e ao mesmo tempo nos transformávamos pelo poder da nossa escuta que confirmava o propósito, o esforço e nossas escolhas de sermos Terapeutas. Éramos muitos terapeutas ali, a se emocionar e agradecer o que estávamos vivenciando. Gratidão L., cliente da Vanessa, pelo seu relato de como os Personagens Internos transformaram seu estar no mundo. Reconfirma minhas práticas e filosofia de viver.

Na sequência os dois Grupos se unem para compartilhar as experiências vividas separadamente.

Novas emoções, do trajeto, das angústias, da criatividade, do lugar solitário desta profissão surgem com a chegada do segundo grupo das Vozes dos Terapeutas.

Terapeutas que oferecem tanta intimidade para os seus clientes e, no dia a dia, podem não encontrar isso pra si mesmo.

A relevância dessa reflexão traz o convite para reforçarmos o ‘Braseiro”, metáfora de podermos estar juntos em grupos, redes, perto uns dos outros, com parceria, intimidade, simetria, em trabalhos tão desafiadores que são os processos terapêuticos. Convida também a não sermos sempre os mesmos. De estarmos em grupos, em equipes reflexivas, em formatos criativos de estar, observar, co-atender pessoas, casais e famílias tão singulares que nos pedem para irmos além de modelos conhecidos e pré-estabelecidos.

Um lindo presente que abasteceu de pertencimento os Terapeutas.

Após o compartilhamentos do que foi vivido e intervalos, foi o momento de demonstrarmos uma prática Dialógica.

Ali estavam dois terapeutas experientes e também mãe e filho, eu e ele, que acreditamos e vivemos no nosso cotidiano familiar e profissional a mesma filosofia Colaborativa Dialógica.

E desta forma nos colocamos frente a frente, em Presença Radical, com responsabilidade relacional, totalmente na entrega para a imprevisibilidade, sem nenhuma combinação prévia começamos a trazer o que vinha em nossos diálogos internos, em nossos Personagens. A minha Personagem Mãe trouxe toda a minha emoção e gratidão  por viver essa parceria, desta forma com um filho.

Indizível.

Depois seguimos por outros lugares internos e externos. Compartilhamos curiosidades e a pluralidade de ideias. Distantes das demarcações, das defesas dominantes de posição assimétricas, das buscas de concordâncias, de querer chegar em algum lugar a priori, refletíamos sobre as relações entre os fatos, colaborando com algo a mais no diálogo construído a dois. Como uma dança, foi gerando novos significados, novos conteúdos, novas emoções e sensibilidades que ganhavam escuta e testemunho para novas ações no mundo.

Me tranquilizei para sair deste lugar com uma das minhas sensibilidades que norteiam a minha prática: diálogos nunca se encerram. Fazem pausas e continuam num outro tempo e contexto, com os mesmos Personagens Externos ou não.

Nova pausa, intervalos longos para poder curtir o barulho das conversações, trocas, das construções de conhecimento.

E com toda essa emoção abrimos para as reflexões finais e construção do conhecimento local do dia.

 

Uma idéia:

Um Congresso, um tempo para mostrar e vermos nossas práticas através do espaço de dar voz e escuta.

 

Uma estrutura Construcionista:

Com o mínimo de estrutura e o máximo de foco para o que vai ser vivido, construído.

 

Uma ação inédita na ASSIM:

Convidar a Voz dos clientes para contar a nossas história por outra perspectiva.

Dar Voz aos terapeutas para compartilharem seus processos de como estão sendo terapeutas.

 

O que ficou pra mim, de reflexão final e de conhecimento construído:

Somos relacionais.

Precisamos do outro para contar quem somos.

O mundo, o novo mundo, o novo paradigma é Dialógico.

A terapia atual  precisa ser atualizada.

Não é mais possível não dar voz ao saber do cliente sobre ele, negar suas escolhas e seu empoderamento. Não há algo errado com nossos clientes, há no nosso contexto.

Terapeutas precisam estar em redes para evitar a solidão de uma prática individualista e pouco criativa.

 

Agradeço com muita emoção a todas as construções vividas, a presença de nosso comunidade, Terapeutas, Clientes e pessoas que quiseram conhecer o nosso fazer por terem vindo nos contar quem somos, ou como estamos.

 

Aproveito, convido a todos para o II Congresso da ASSSIM a ser realizado em Novembro de 2020.

 

“A gente não consegue ver a nossa história por nós mesmos. Precisamos do outro, para contar a nossa história por outra perspectiva.” Bakting

 Telma Lenzi | Dezembro 2019

 

 

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